POR FAVOR... DEDINHOS NÃO!

 Que irritação que eu sinto ao ver aqueles dedinhos - geralmente o indicador ciceroniando o médio, por vezes, ambos acompanhados pelo anular - debruçados no ar, sustentados por uma mão e apoiados irresponsavelmente por um braço, nas portas dos carros. Ou ainda, os mesmos hasteados instantaneamente na atmosfera, quando vêem o coletivo público se aproximar.

Cena recorrente quando, de maneira mal-educada, seu dono anuncia fazer uma ultrapassagem ou uma conversão qualquer.

Cena cotidiana quando, em algum momento, alguém deseja ser transportado e deixado onde almeja.

Ato que remete a uma postura mandona de quem lança os dedos e espera a emissão de um comportamento servil, dos que avistam os famigerados representantes das habilidades motoras “finas” do humano. Mal-educados!

Ignorando o acionamento da sinaleira ou utilizando-a tardiamente, os dedinhos entram em cena, fazendo um “pedido”. Algo que mais parece uma ordem proveniente de alguém que, em meio à máquina que valoriza sua condição efêmera e arbitrária de “poder”, se transmuta em um ser pretensiosamente especial. Sujeito ao qual, prontamente, deve se dar passagem caso se queira esquivar de um acidente automobilístico circunstancial.

Muda-se o contexto e agora, num ponto de ônibus, lá vêm os dedinhos novamente. Desprotegidos pela ausência do arcabouço mecânico e, portanto, mais sujeitos aos micropoderes, manifestam-se de maneira mais humilde, embora continuem a projetar-se para o chão. Sugerem, sem quaisquer constrangimentos, a sarjeta das ruas, indicando onde o condutor coletivo efetivará sua obrigação.

Que arrogância, que vergonha, dedinhos! Esqueceram-se da ilibada educação? Para que apontar para a lama preterindo não se educar? Por que não se flexionar e, elegendo o polegar, para o alto positivamente direcionar? Ou mesmo levantar o calejado indicador e sugerir onde parar? Ou ainda junto à mão, se exporem por completo no ar, como se assim pedissem o favor de parar para que se possa adentrar para circular?

Não... Há muitos outros meios de solicitar. Que vexame!

 

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